
Minha querida mamã.
30 de setembro de 2020
Olá, mamã… não, não se vire, estou aqui. Eu conheço-te bem, ainda não me conheces. Tu seguras-me, eu aconchego-me dentro de ti. Sou o botão de flor que nutre dia após dia. Durante oito meses esperei por este momento para falar consigo. Ouça-me, coloque o seu ouvido na sua barriga. Aí, sinto um movimento. Tenho ouvidos, mas não consigo ouvir. Tenho uma boca, mas ela permanece silenciosa; tenho os olhos semicerrados que não vêem nada além de derramar lágrimas quando se está triste. Eu só reparo nas vibrações abafadas da sua voz suave, nas ondas subtis dos seus carinhos à noite, mas também nos trovões inexplicáveis e, por vezes, nas ondas de choque aterradoras. Imagino, pela intensidade das suas contrações musculares, a dor que nos ataca. Quem, no seu mundo aberto, poderia atacá-la com tanta crueldade? Estou triste. Prometo-te, minha querida mãe, que já te amo sem limites, que te defenderei com todo o meu ser quando chegar a hora. Estou a crescer rápido, sabes. Tu alimentas-me com tanto carinho. Consegues ouvir o meu coração acelerado, aí debaixo do teu ouvido amoroso? Ele é teu e sempre te protegerá. Depois da difícil viagem que me espera, mais ninguém te poderá fazer mal. Chorarei sem parar se sentir a tua tristeza, cobrir-me-ei de horríveis erupções cutâneas para te proteger, desviando a atenção, morrerei por ti, minha querida mãe, não comerei mais até regressar a um amor sereno.
Quando fores velha e cansada, eu levar-te-ei nos meus braços. Dir-te-ei isto: se os teus ouvidos já não puderem ouvir, contarei histórias de paisagens encantadoras; se os teus olhos já não conseguirem ver, beijarei as tuas mãos enrugadas e as tuas faces vazias, e lembrar-te-ás das suaves carícias do passado.
Smp
http://www.piovezan.fr
La traduction automatique Google français portugais mérite une correction humaine sensible.
Qui veut bien s’y lancer ? MERCI

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